quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Respeito...

Tava pensando... A gente tem que respeitar tudo. Respeito é uma palavra que a gente acha que conhece seu significado mas, de verdade mesmo, talvez não se dê conta da imensidão de coisas que uma palavrinha só pode ter contida.
Respeito é quando a gente, por exemplo, dá algo a alguém e consegue admitir que esse outro não [quer, pode, aceita, admite, está pronto] a dar algo em troca pra gente.
Tá certo, isso não é muito politicamente correto, nós deveríamos doar e não esperar nada em troca sempre mesmo. Mas acho difícil, pelo menos raro, alguém estar tão altruisticamente pronto a oferecer o que quer que seja e não esperar ao menos um "muito obrigada" em troca. Sim, acredito que alguns poucos já tiveram esse aprendizado, mas acho que são poucos, pouquíssimos mesmo...
Mas voltando ao respeito, ele não se limita aos jogos sociais, ao saber até onde começa o espaço do outro e termina o meu...
Respeitar é, também, principalmente, algo que deve vir de nós para com nós mesmos.. Respeito o fato de ter raiva de alguém e ter decepções, respeito o fato de não estar pronta pra ser a profissional que gostaria de ser, respeito o fato de dar e querer algo em troca pois (ainda) não estou pronta pra me doar sem uma doaçãozinha do meu interlocutor, enfim...
Respeito ser humana e não sobre-humana! Respeito meu processo de auto-conhecimento e, por ser um processo, ainda ter muito a caminhar, muito orgulho pra deixar no caminho, muito a aprender com o significado real de doação. Acho que respeito é mais do que o socialmente aconselhável, mais do que o "não faça ao outro o que não gostaria que fizessem com você"...
Respeito é antes de tudo, respeito a si... É não bancar o herói, é admitir que ainda é bem de carne e osso, é saber que fofocar, fazer intriga, estar com raiva por "coisa pouca", querer algo em troca ainda nos pertence e que nossa grandiosidade não está em negar tais sentimentos mas em admitir, assumir, nos responsabilizarmos por nossas imperfeições e não, olhá-las de canto de olho, como algo estranho a nós mas como algo tão perto, mas tão perto que só assim a gente poderá, um dia, no nosso dialogar diário com a parte "manchadinha" de nossa personalidade, entrar em um acordo com ela e, assim, fazer quem sabe com que essas manchinhas fiquem menores, mais alvinhas, que a gente possa usar o respeito primeiro com a gente, pra depois, propagar tal palavrinha com mais honestidade e verdade pra o outro!

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